Márcio Fernandes: O Setor Elétrico conectado!

O mundo avança tecnologicamente e o setor elétrico global se mobiliza para não perder a onda digital

O mundo avança tecnologicamente e o setor elétrico global se mobiliza para não perder a onda Digital. Há vários anos tenho ouvido muitos discursos de diversas nacionalidades que apontam em direções similares e até previsíveis.

A integração das já usuais energias renováveis, aplicativos e soluções de inteligência artificial criados para tentar conectar clientes, formas de armazenamento de energia, carros elétricos, geração distribuída e é claro, smart grid e smart cities.

Mas o que de fato seria a efetiva Digitalização do Setor Elétrico Mundial?

Para uma pergunta assim, as respostas tendem a variar um pouco mais e geralmente começam com um depende. Depende essencialmente de quem é o ator que responde, ou seja, se está em Geração (G), Transmissão (T), Distribuição (D), Renováveis (R) ou Comercialização (C), em que país e, em geral,com apenas sutis convergências.

A tal Digitalização não é de fato tão facilmente mapeável e o que mais preocupa e que mesmo sem uma resposta implacável, esta onda parece evitável. As respostas vão enfim, de superficiais até bem profundas e complexas, mas privilegiam geralmente apenas o ambiente técnico.

Duas grandes empresas com as quais tive contato recente me pareceram ter, de forma muito consciente e organizada, boas e prósperas equações para o tema.

A primeira delas, tem uma visão que considero inovadora. Com a construção de um novo conceito na Distribuição de energia elétrica, transformado a distribuidora no operador do sistema elétrico em suas microrregiões. Esta organização poderá oferecer desde soluções de auto-geração (GD) até armazenamento e redundâncias para o suprimento contingenciado, com integração total, oferecendo aindauma confiável e ampla conexão virtual com o cliente, que passa a gerenciar sua necessidade e otimiza sua própria conta no final do mês.

A outra empresa, tem uma visão ainda mais disruptiva, acreditando que não haverá mais fronteiras e o melhor provedor será aquele que oferecer a melhor e mais aderente solução ao cliente, desde a completa integração digital até a melhor experiência agregada ao serviço, que pode ir de informações até a vivência num ambiente integrado para soluções de outras demandas do dia a dia, não apenas energéticas, esta empresa já aposta nos millenials e cria suas próprias startups e as conecta com o business tradicional.

Parecem mundos incríveis, enormes e extremamente prósperos, que por mais previsíveis que possam parecer, estão em construção e portanto ainda residem no  mundo das oportunidades e assim, por mais que muito “gênios” estejam trabalhando forte nisso, este mundo ainda pode ser seu.

Um fato em comum a estas duas grandes empresas entretanto, por mais que suas visões da digitalização não sejam assim tão simétricas, me chamou muito a atenção. O que me saltou aos olhos de verdade foi o fato de ambas, gigantes, estarem tão preocupadas em tornar exponencial sua FORMA de gerir e encantar pessoas, atraindo os melhores talentos para o nosso setor, desenvolvendo-os, viabilizando que enfim surja esta paixão que para nós já é comum, mas em novas pessoas, e estas passem a ter a mesma paixão que atraiu no passado talentos que nos trouxeram até aqui com maestria, mas que agora começam a ser sucedidos pelas novas gerações.

O novo está batendo a nossa porta, é touch, socialmente conectado, quer viver intensamente e com qualidade de vida, faz TUDO por meio do que nós usávamos apenas para telefonar, enfim, são os nativos digitais e por meio desta nova geração, que busca o disruptivo, o conectado, o DIGITAL, podemos chegar lá mais rápido e naturalmente, desde que os ensinemos a gostar deste mundo incrível que é pura energia (Energia Elétrica), e assim possamos juntos criar o Naturalmente Digital. Não se trata de colocar o motor do Porsche num Fusca, mas sim, um meio de transporte, autônomo, acessível, renovável, elétrico, digital.

Para isso, teremos que abrir espaço e não trata-los como problema, chamando-os de ansiosos e infiéis. Qual foi a fidelização que restou para a rede hoteleira tradicional depois do AirBnB? Qual foi a fidelização que restou aos taxistas com a chegada do Uber e outros, enfim, a digitalização de nosso setor para alguns é um risco, mas felizmente para as melhores empresas do setor, que já se conectaram e aproveitam a melhor experiência combinada de todos, com humildade, isso é só uma grande OPORTUNIDADE.

Márcio Fernandes é ex-presidente da Elektro e autor do livro “Felicidade dá Lucro”

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